Mundo Cão: Soltando os cachorros!

Esse blog tem a ideia divulgar pensamentos e noticias dos mais diversos tipos, como esportes, política, TV, sociedade, cultura e o que possa ser discutido de forma inteligente. O nome é em homenagem a minha velha cachorra Juma.

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Terra Blog

Arquivo de: Abril 2008

29.04.08

O que é normal não é certo.

Na TV fechada tem um canal chamado Ideal, que passa programas sobre grandes empresas e aborda questões sobre o mercado de trabalho e o mundo corporativo em geral. Um dos programas do canal Ideal é um sitcom sobre etiqueta no trabalho chamado “100 Maneiras”, que na minha opinião é o único programa bom que o Ideal tem. É um programa engraçado que mostra o cotidiano dos funcionários de uma pequena empresa que fabrica brinquedos de plásticos. Os funcionários dessa empresa em certas partes do programa dão depoimentos sobre o que disseram ou o que aconteceu naquele dia como se fosse um reality show, embora o programa seja de ficção. Quem assiste entende melhor como ele funciona. O que chama atenção é que nesses depoimentos muitos funcionários se contradizem e negam o que fizeram e o que a cena mostrou. Muitas cenas mostram um cotidiano exagerado e caricato e é o que faz o programa ser engraçado. O que chama atenção em particular é que em alguns depoimentos eles falam muitas frases do tipo “isso é normal acontece em todo lugar e todo mundo faz”, dando a entender que o que é normal é certo. Por mais absurdo ou por mais que a pessoa descorde, ela fala “isso é normal”, mas o que é normal não necessariamente é certo do sentido moral ou ético. Por exemplo, políticos brasileiros roubarem dinheiro público é normal e por ser normal muitos que ocupam cargos públicos (que não são, necessariamente, políticos) desviam dinheiro, para contas pessoais, pois se é normal passa a ser correto. Outro exemplo, policiais matam bandidos, às vezes erram o alvo e acabam atirando em alguém que está no lugar errado na hora errado. É normal, pois a polícia tinha que tentar matar os bandidos. Foi uma atitude errada ou no mínimo equivocada A maioria dos exemplos é de nossas próprias pequenas atitudes, como: jogar lixo na rua, furar fila, comprar produtos piratas, atravessar fora da faixa de pedestres ou passar no semáforo vermelho, fazer uma curva sem sinalizar, ficar na porta do metrô, trem ou ônibus sem descer e etc, tudo isso é absolutamente normal em nosso cotidiano, mas todas elas, e que nós todos já nos pegamos fazendo, não são corretas e atrapalham nosso dia-a-dia. Não precisamos ser uns quadrados ou uns caretões e fazer tudo certo nos mínimos detalhes, mas não podemos confundir o normal com o correto. Ou deixar que o que é errado se normalize, se torne banal. Existe uma teoria que diz que quanto mais uma mentira é contada mais ela se torna real e muitas vezes o próprio mentiroso começa a acreditar naquilo que ele conta. O principio é o mesmo: quanto mais banalizarmos ou aceitarmos atitudes incorretas mais elas se tornam normais e assim acabam se tornando corretas. Para isso precisamos não só pensar em nós, mas também nos outros ao nosso redor, o que no mundo de hoje individualista e egoísta é algo muito difícil, afinal o outro é sempre nosso inimigo, é sempre o outro que está errado e nunca eu mesmo, por que o outro sim que é anormal. 100 Maneiras Canal 70 da TVA TER 22:00. Horários alternativos: DOM 11:30 - 19:00 / SEG 08:00 / TER 02:00 - 13:30 / QUA 07:30 - 20:00 / QUI 03:00 - 22:30 - 23:00 / SEX 04:30 - 12:00 / SAB 08:00 - 21:00. Assista partes do programa "100 Maneiras" acessando no link abaixo: http://www.idealtv.com.br/programas.php?programa=20

25.04.08

Pense globalmente, aja localmente.

Um dos maiores ou se não o maior debate que se realiza nessa primeira década do século XXI é sobre o meio ambiente. O planeta Terra chegou num nível de sobre vida e quase não se sustenta mais, pois foram séculos de recursos naturais sendo usados e consumidos (consumido aqui não quer dizer comprado), da natureza e não sendo reaproveitados ou repostos. Uma árvore demora 10, 15 ou 20 anos pra crescer e 5 minutos para ser derrubada. Basta jogar uma pilha palito para contaminar águas de um rio inteiro, mas para tratar poucos litros de água é um processo demorado, ou seja, a concorrência destruição e recuperação é desleal e selvagem com o perdão do trocadilho.
Muito se fala em desenvolvimento sustentável ou planeta sustentável, mas afinal o que quer dizer isso? Eu também não sei responder e sinceramente não é essa a questão. Não é o Bradesco se dizendo o banco do planeta, ou o Banco Real reciclando o papel das cartas que manda aos clientes e nem o Posto Ipiranga que planta uma árvore a cada compra com o cartão que vão ajudar a melhorar o planeta. O que vai ajudar somos nós, é uma questão da nossa própria sobrevivência. As grandes corporações e grandes empresários não estão preocupados exatamente com o ambiente, mas sim com seus negócios o que é muito natural. A partir do momento que a natureza e a vida do planeta está sendo prejudicada o negócio dessas corporações também estão. Mas também não é disso que esse texto se trata.
Eu já ouvi dizer que se parássemos com tudo o que é prejudicial como fumaça de carros e caminhões, fábricas, usinas e tudo que joga o famoso CO2 na atmosfera, ainda assim a Terra demoraria uns 200 anos pra atingir um estado ideal de recuperação.
O que pode ajudar nosso querido planeta somos nós mesmos. Quem me conhece pessoalmente sabe como eu fico p... da vida quando vejo um ser ignorante, jumento, acéfalo, jogar um papel de bala na rua ou uma ponta de cigarro ou despejar centenas de milhares de litros de água na calçada. São pequenas atitudes que vão ajudar o planeta. Dizem que se todos os chineses pulassem de uma vez só, a Terra tremeria, afinal são muitos os chineses na Terra. O raciocínio é mesmo: vivemos numa cidade com no mínimo 10 milhões de pessoas, se cada uma delas jogasse ao mesmo tempo um papel de bala na rua a cidade ficaria intransitável (como se já não fosse), se todos lavarem suas calçadas com jatos de água, essa água acabaria em pouquíssimo tempo. E pior é que muitos sabem disso, é como o hábito de fumar, hoje em dia todos sabem que fumar faz mal a saúde, mas o número de fumantes só cresce.
Para melhorarmos nossa qualidade de vida na Terra, basta praticarmos e principalmente deixarmos de praticar pequenas atitudes. Falar de Amazonas é muito fácil enquanto eu poluo minha rua e minha cidade. Aqui em São Paulo estamos mais perto da capital da Argentina do que da floresta Amazônica.Isso não é papel do governo ou de instituições, é função nossa, diz respeito a nossa vida, nesse lugar. O que fazemos para ajudar a nossa rua? Quanto que poluímos o ambiente de nossa casa ao trabalho? Quanto estamos cientes de que ajudar o planeta significa nos ajudar? Sobram perguntas e faltam atitudes.

22.04.08

Alguma sugestão?

Confesso que estou um pouco sem assunto. Algo que é muito ruim pra quem gosta de escrever e principalmente pra quem gosta de ser lido. Afinal a leitura se torna vã se ninguém faz uso dela. Até tinha algumas idéias, mas tem certos assuntos que não se coloca em público antes de se pensar muito bem sobre ele. Então como o blog estava há uma semana sem atualizações decidi fazer da falta de assunto um assunto para colocar aqui.
Por exemplo, a pessoa que falou que futebol, religião e política não se discutem perdeu uma ótima oportunidade de ficar quieto, na minha opinião. Uma pessoa que não quer discutir esses assuntos quer saber do que? Afinal somos o país do futebol, no Brasil existe as mais diversas crenças e a política no Brasil é uma das mais “bizarras” (não encontre termo melhor) do mundo. E no fundo todas elas são a mesma coisa. Ou a pessoa que disse isso deve ser aquelas que ficam sempre em cima do muro do tipo que ao invés de torcer por um time, torce contra todos (veja o post abaixo), ou que vai de domingo na missa e no terreiro na quarta feira, ou vota no Clodovil depois fala que política é uma porcaria ou talvez seja filiado ao PMDB.
Porem esse cara estava certo, pois falar sobre esses três assuntos é muito difícil e sempre causa polêmica. Eu mesmo poderia escolher um dos três e falar sobre eles. Mas falar o que sobre eles e como? Às vezes o problema não é o que se fala, mas como se fala de determinado assunto. Esse cara até que tem sua razão, afinal não falar nada às vezes e ficar na sua é a melhor coisa a fazer. Mas um blog vive de assuntos e eu estou sem.
Alguém tem alguma sugestão?

15.04.08

Que time é teu? (A “chatização” do futebol)

Quem me conhece sabe que eu gosto muito de futebol. Embora nunca fui um freqüentador de estádios, sempre assisto jogos pela TV e acompanho a repercussão deles nos jornais e nos programas esportivos. Assisto jogos de vários campeonatos do mundo, até por que em quase todos os países estão os melhores jogadores do mundo, os brasileiros. Porem de uns tempos pra cá, o futebol tem ficado muito chato. Não só os jogos estão com uma qualidade discutível, mas os programas de TV há muito não mudam seus formatos e os torcedores também não são como antes. Aliás, se existe alguém chato no futebol esse alguém é o torcedor. Me refiro ao torcedor comum, sem pertencer a torcidas organizadas ou algo do tipo, aquele torcedor que no dia seguinte cometna a rodada com seu colega de trabalho. Vamos combinar que um cara de torcida organizada não tem muito tempo para trabalhar.
Na minha modestíssima opinião a palavra torcedor perdeu o seu sentido. Hoje quando alguém diz que é palmeirense, flamenguista ou qualquer que seja o “seu time” é necessário perguntar se ele torce contra ou a favor daquele time que se refere. 
Essa  “chatização” do futebol é muito por influência desses torcedores (vai saber pra quem eles torcem?). Tem cara que só torce por time X por que esse é rival do W, e fica mais feliz quando W perde do que quando X ganha. Quando o seu time X ganha ele diz que o importante é que o time W perdeu. Talvez esse cara nem sabe a cor da camisa do time X, mas sabe todas as mazelas do W. Um exemplo disso foi que no fim do ano passado ouviu-se mais fogos no dia em que o Corinthians foi rebaixado para a serie B do que quando o São Paulo foi penta campeão da serie A. Outro exemplo de como torcedor de futebol é chato, e isso é muito alimentado pela impressa, é que quando o time ganha, ele é o melhor do universo, mas quando perde e mal termina o som do apito do arbitro, lá vai o elenco todo, os reservas, e às vezes até o presidente do clube correr atrás do homem de preto para reclamar daquela falta que ele não marcou. Depois o técnico vai pra coletiva de impressa reclamar que no meio da semana eles têm que viajar para Paraguai por que estão disputando um torneio internacional, mas que essa viagem vai atrapalhar o grande clássico da próxima semana contra o Sertãozinho e que vale vaga de quarto lugar. Vai ter gente dizendo que chato mesmo no futebol é o Galvão Bueno, mas pelo menos podemos rir um pouco com as pérolas citadas por ele nas transmissões.
A “chatização” do futebol infelizmente tende a piorar. Assistir campeonatos de outros paises é bom por que você se limita ao jogo. As repercussões nos bastidores são pouco divulgadas por aqui. Mas mesmo assim não perco o hábito de acompanhar o futebol tupiniquim, até por que preciso ter conhecimento de causa para critica-lo, e confesso que me divirto com essas situações.
Na próxima vez que você perguntar a alguém para que time torce, depois da resposta que ela der, faço outra pergunta: “você torce contra ou a favor desse time?”. Se a resposta for contra, não se surpreenda.

09.04.08

Dois livros, um continente.

Muitos brasileiros dizem que americanos e europeus não sabem nada sobre o nosso país. De fato estão certos, mas eles não sabem por que não interessam a eles, assim como não nos interessa saber sobre a África. Me digam, o que vocês sabem sobre o continente africano sem os famosos clichês savanas e Saara? O post de hoje trás a dica de dois livros autobiográficos de dois africanos, um jovem de Serra Leoa e uma mulher da Somália.Duas histórias de superação e sobrevivência.

Muito longe de casa.
Pra ser sincero antes de começar a ler esse livro tinha sobre ele uma expectativa maior, mas nem por isso fiquei decepcionado.Ismael Beah conta sua história e de seu país Serra Leoa na África. A guerra que parecia ser algo distância para ele chega de repente e muda a sua vida, aos 13 anos, e de muitos garotos de sua idade. Ao ser separado de sua família e ter sua casa incendiada pelos rebeldes da guerra civil, Ismael vaga pelo país junto com outros garotos tentando sobreviver à guerra. Ainda adolescente ele é recrutado por um exército e após ver amigos morrerem e sofrer uma espécie de “lavagem cerebral”, ele vive a guerra intensamente, começa a usar drogas e não vê sentido na vida além da guerra.
Ainda no período da guerra ele e outros garotos são reabilitados pela UNICEF e são enviados para morar com familiares que estão fora da zona de conflito. Em 1996, Ismael foi convidado a participar de uma conferência na ONU. Um ano depois em 1997, quando tudo parecia calmo a guerra chega a capital Freetown e Ismael reencontra as mazelas da guerra.
Quem tiver curiosidade e quiser saber mais sobre a guerra civil e Serra Leoa pode assistir ao filme Diamante de Sangue, que mostra o conflito do país.
Destacou duas curiosidades do livro: a primeira é que o autor faz uma breve citação ao Brasil. Outra e mais curiosa é que um dos garotos do livro é chara do blog e se chama Jumah, que se escreve assim com h.



Outro livro que apresento é Flor do deserto a autobiografia da modelo somali Waris Dirie.Waris é uma ex-nômade e quando jovem foge de um casamento indesejado e vai para a cidade de Mogadíscio. Ela começa a contar sua historia a partir do momento que sofre a mutilação genital,aos 5 anos de idade, prática ainda muito comum em alguns paises da África. Em Mogadíscio ela encontra um tio que vai trabalhar para o embaixador da Somália em Londres e viaja para a capital da Inglaterra.
Na cidade inglesa ela vê pela primeira vez pessoas brancas, mas também desperta a atenção por sua beleza exótica.Trabalha como empregada doméstica na casa do embaixador e um dia é vista andando na rua por um agente de modelos. É convidada por esse agente a participar de campanhas publicitárias de marcar internacionais e se torna conhecida no mundo todo. Hoje aos 43 anos Waris é embaixadora da ONU e luta pela erradicação da mutilação feminina, não só no continente Africano mas em qualquer lugar que essa atrocidade ainda esteja acontecendo.