Mundo Cão: Soltando os cachorros!

Esse blog tem a ideia divulgar pensamentos e noticias dos mais diversos tipos, como esportes, política, TV, sociedade, cultura e o que possa ser discutido de forma inteligente. O nome é em homenagem a minha velha cachorra Juma.

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Terra Blog

Arquivo de: Novembro 2008

27.11.08

Conclusão

Calma gente, o blog não acabou não. É que como estou com falta de inspiração e o blog está muito desatualizado, eu coloco aqui a conclusão do meu relatório final do curso de licenciatura.

 

Segue o texto:

 

Esse semestre pode notar a grande diferença entre a escola pública e a particular. Existe um abismo entre elas em termos de organização, valorização e comprometimento de todos envolvidos. Não cabe aqui fazer juízo de valores e nem fazer comparações que todos nós que estudamos e nos envolvemos com a educação sabemos. Porem não posso deixar de lamentar a ineficiência da educação tanto pública quanto particular.

 

Existem alunos da escola pública que tem um potencial incrível, sabem interpretar textos e escrever. Ao mesmo tempo em que existem alunos da particular que não sabe nem quem é o prefeito da cidade ou o que faz um vereador. Isso de um modo geral é a exceção.
Mas o que mais é notável são os graus de comprometimento. Na escola pública o comprometimento de alunos, professores, e coordenadores é quase zero. Os alunos por que sabem que vão passar pela aprovação automática e se esforçam o mínimo, os professores precisam aprovar os alunos e se eles entenderam o conteúdo ou não, não faz diferença. A coordenação se compromete a evitar os problemas e manter a ordem mínima que seja. Também existe um preconceito (não sei se é exatamente essa a palavra, mas vou usá-la) entre todos eles. Os alunos acham os professores ruins e os professores acham os alunos ruins e empurra-se a situação com a barriga. Os alunos não têm o mínimo de interesse pelo conteúdo e usam de maneira explicita na sala de aula aparelhos celulares, mp3 e outras mídias eletrônicas que o distraiam. Isso desestimula muito o trabalho docente, pois ninguém consegue falar para quem não quer ouvir, e não faz diferença quem fala ou o que se fala, ou o que ouve ou quem se ouve. Por muitas vezes eu me questionei por que eles iam à escola. Mas felizmente existem exceções tanto do lado dissente quanto no docente, existem alunos interessados em aprender e a colaborar com a aula, não para tornar o ensino público melhor, mas por que sabem que aprender é bom. Existem professores que se preocupam com o conteúdo e com o bom ambiente, não para tornar o ensino público melhor, mas por terem a consciência de fazerem um trabalho bem feito e a sensação de dever cumprido. Ambos sabem que aquilo é um trabalho de formiga e que dará resultados bons. Na escola particular também existe um desinteresse natural dos alunos, devido à faixa etária. Não se nota o uso de mídias eletrônicas, mas as brincadeiras e conversas também prejudicam muito o trabalho do professor. O interesse se torna maior na particular por que o aluno sabe que precisa apreender o conteúdo para ser aprovado. Mas muitos alunos não têm consciência do privilégio que é estudar numa escola de qualidade, seja ela particular ou não, mas principalmente a particular, pois traz um retorno maior, num país que é pobre em produção de conhecimento.

 

A realidade da educação não é a das melhores e está longe de melhorar. Não existe interesse em melhorar a educação, o formato atual da escola está a quem do ideal. O mundo se transforma numa velocidade rápida e a escola não consegue acompanhar esse ritmo. Durante o estágio e notando a diferença entre as escolas encontrei muitas diferenças entre elas, mas como comentei também existem semelhanças como o desinteresse dos alunos por determinados conteúdos ou devido à faixa etária. Mas em ambas as escolas notei que a maior dificuldade que encontraremos será implantar e lecionar a sociologia. Parece que a escola não está preparada para receber a matéria, o atraso de sua manutenção vai limitar e muito a grandiosidade que as ciências sociais possuem. Mas assim como existem esses alunos e professores da escola pública que são exceções, se esforçam e se tornam vitoriosos, a simples introdução da sociologia na escola já é um grande passo. As ciências sociais devem ser valorizadas em todos os níveis de ensino, e essa valorização começa pela base, a base é a escola e devemos valorizá-la independente de sua realidade.

18.11.08

Fazer o que, né? Tem que comprar...

Fim de ano chegando e vocês sabem como é essa época, igualzinha a todos os anos passado. Todo ano é a mesma coisa, mas as pessoas acham que é tudo novo. Os jornais vão mostrar as contratações por vagas de empregos temporários, as TVs vão fazer seus programas especiais, incluindo o show do Roberto Carlos, que se passar o show de 1984 eu não vou ver diferença nenhuma, mas tudo bem. No dia 23 e 24 de dezembro o Jornal Nacional vai fazer um link ao vivo de algum Shopping Center mostrando seu expediente de 24 horas e um monte de gente atrasada para as compras de Natal. Pois é, se tem uma coisa que me incomoda nessa época é esse consumismo que aumenta. Se você perguntar a uma criança o que é Natal ela vai responder que é Papai Noel e presente.
Hoje em dia é aceito por muitas crenças que a data 25 de dezembro não é a de nascimento de Jesus. Os registros históricos e cristãos nunca afirmaram tal data para seu nascimento. Também é sabido que por volta do dia 25 de dezembro ocorria uma festa pagã do denominado solstício de inverno que muitos povos celebravam. Nessa festa aconteciam trocas de presentes. A igreja católica na época, século IV d. C, ao invés de proibir essas festas incorporou ao cristianismo e instituiu o 25 de dezembro como o nascimento de Jesus.
Independente disso, o natal gera uma necessidade de consumo, que pode ser bom para o mercado, pois gera emprego e gira a economia, porem cria-se uma mentalidade de necessidade de coisas que não temos necessidade. Presentear as pessoas é sempre legal e um gesto carinhoso, mas podemos fazer isso não só em natal ou aniversario, mas em outras ocasiões e a melhor ocasião para se presentear é aquela que você tem vontade e não num dia que marcaram a mais de 1500 anos atrás.
O pior é que depois que passa esse período de festas, é que no primeiro mês do ano vem àquela reportagem sobre material escolar. Aquela criançada querendo tudo novo e tudo mais. A mentalidade consumista continua e se perpetua afinal a criança quer né, fazer o que, tem que comprar...

12.11.08

Quem sentirá nossa falta?

Na semana passada eu estive conversando com alguns colegas de faculdade sobre o curso universitário que fazemos. Também conversei com minha namorada sobre isso e a conclusão que eu cheguei, embora tenha ouvido discordância, foi que se o nosso curso e nossa profissão desaparecer de repente ninguém vai sentir falta. Pelo menos em curto prazo não.
Vejamos a seguinte situação que já foi explorada bastante no cinema americano: um grande meteoro está em direção a Terra e restará pouco tempo para as pessoas tentarem se salvar (estou colocando salvação aqui no sentido terreno e não no sentido metafísico cristão). Seguindo a lógica dos filmes logo surgirá lista de pessoas que irão para os abrigos feitos na época da guerra fria caso na época tivesse uma bomba nuclear. Nos abrigos não cabem todos por isso a seleção. O primeiro da lista seria claro, o presidente dos EUA, políticos e seus familiares, depois o descobridor do meteoro e sua família, depois os médicos, e por ai numa ordem de importância profissional. Depois as pessoas saudáveis para repovoar a Terra. Mas não entrariam nessa lista muitas pessoas entre elas os cientistas sociais, sociólogos e todos que se graduaram nessa área.
Muitas pessoas que eu conheço e falo do meu curso nem sabem que ele existe e muitos menos o que um profissional da área faz. Eu já escrevi sobre isso num post antigo. O próprio curso é um pouco mal formulado e não se tem nenhum tipo de orientação profissional, no sentido de se indicar estágios por exemplo. A produção científica de pesquisas da área na maioria é fechada dentro da universidade, não tendo expansão para a sociedade e quase nenhum tipo de divulgação. Muitos temas de pesquisa são pessoais e não tem sentido prático de crítica ou de produção de conhecimento direcionada dando a impressão que muitos só fazem pesquisas para obtenção de títulos de mestrado, doutorado e etc. Quase ninguém lê as publicações a as atualizações dessa produção científica social é muito baixa, existe uma grande reprodução de temas e autores. Qualquer um passa no vestibular já que a procura pelo curso é baixa, deixando o nível do curso fraco também.
A partir do ano que vem às escolas do estado de São Paulo dará sociologia no ensino médio, com a intenção de deixar o ensino mais critico. Mas com os profissionais que estão se formando agora, vejo que as aulas serão bem ruins.
Posso estar exagerando nessa crítica, mas falo do que conheço. Reconheço também que existem coisas boas na área, boas pesquisas e institutos e bons profissionais também, não estou generalizando a situação. Fazer a autocrítica de onde se está é fundamental para que se consiga melhorar. Mas o fato é que se amanhã todos os sociólogos desaparecerem, ninguém vai sentir nossa falta.

07.11.08

Dez coisas que odeio em você.

O inglês William Shakespeare viveu por volta de 400 anos atrás, mas suas histórias continuam sendo contadas em montagens de peças teatrais, em reedições de livros e no cinema. Algumas ganham adaptações contemporâneas como no caso do filme Dez coisas que eu odeio em você, inspirado na história shakespereana A Megera Domada. Na adaptação para o filme o cenário é basicamente a escola onde as irmãs, a mais velha, Kat e a caçula Bianca estudam.

Em seu primeiro dia na nova escola, o jovem Cameron se apaixona por Bianca . Mas o pai dela só permitirá que ela saia com rapazes até que Kat arrume um namorado. O problema de Kat é que ela é muito mal humorada e de poucos amigos.. Cameron, então, negocia com o único garoto que talvez consiga sair com Kat o mal encarado Patrick. Cameron paga a Patrick para que ele saia com Kat ficando livre pra sair com a irmã mais nova. A tarefa de Patrick nao vai ser fácil, mas seu feito será inédito.
O filme é divertido ao estilo sesão da tarde, bom para aqueles dias que não tem nada pra fazer e nada de bom passando na TV.

 

05.11.08

A nova face dos EUA.

O terceiro post desse blog escrito em fevereiro desse ano foi sobre as eleições americanas. Na época ainda ocorriam às primárias onde estavam sendo escolhidos os candidatos. Ontem os EUA realizaram uma eleição histórica, pelo número de votos e pelo vencedor dela: o democrata Barack Hussein Obama Jr.
O sistema eleitoral americano é ultrapassado, antigo, confuso e precisa de uma reforma urgente, mas isso não impediu que um grande número de eleitores fosse votar. Mostrando também que o voto facultativo funciona quando temos motivação e esperança através dele.
Eu acredito que hoje o mundo se sentiu aliviado em saber que o novo presidente dos EUA será o senador Obama. Foram longos oito anos de Bush num governo acéfalo e desastroso. Bush é considerado o segundo pior presidente dos EUA, perdendo só para James Buchanan (1856-1861) que na época se inicio a guerra civil americana e antecedeu Abraham Lincoln.
O trabalho de Obama não será fácil, pois o poço é fundo e vazio. Sao duas guerras para acabar, uma economia para recuperar, empregos para gerar, imigrantes para legalizar e uma diplomacia a conquistar. Mas Obama ao contrário de Bush tem um potencial grande para conseguir isso. Ao contrário de Bush vai tratar os outros paises do mundo como vizinhos e não como o quintal de sua casa. A inexperiencia pode ser um fator complicado na hora de admistrar o país, mas com maioria democrata ele pode ter um apoio maior para suas decisões.
Nos EUA hoje, em 2008, a esperança venceu o medo assim como no Brasil em 2002. Torcemos para que essa esperança não seja uma decepção ou uma mera ilusão. A esperança venceu o medo da mudança, venceu o medo do terror que após 11 de setembro não passou de uma ameaça, a esperança da juventude progressista ao conservadorismo branco e caipira. Parece que depois de mais de 200 anos os americanos aprederam a votar.
Os EUA hoje, e principalmente a partir do dia 20 de janeiro, ganha uma nova face, uma face negra e ilustrada com sorriso grande e tranquilo. Uma face que já entrou para História. Uma História que no dia de hoje pode estar apenas começando.
Quem quiser ver o post citado acima é so clicar aqui http://juma99.blog.terra.com.br/eleicoes_americanas_e_brasileiras_1#comments ou ir nos arquivos de fevereiro na lista ao lado.

Barack Hussein Obama Jr: a nova face do EUA.